Jean Vanier
Biografia Infância e a Busca Espiritual
A Arca, a história de um encontro
No final do ano de 1963, Jean passa a ajudar o padre Thomas, que havia sido nomeado capelão do Val Fleuri, numa pequena aldeia francesa, chamada Trosly- Breuil, situada à beira da floresta de Compiègne. Val Fleuri era uma instituição que acolhia cerca de trinta homens com deficiência intelectual. Mais tarde, Jean retorna ao Canadá, lecionando no Saint Michael College da Universidade de Toronto, onde suas palestras rapidamente conquistavam o interesse dos estudantes. Ao terminar o período, Jean retorna a Trosly e começa a se interessar pela situação das pessoas com deficiência intelectual. Ele visita a instituição psiquiátrica de Saint-Jean-les-Deux-Jumeaux em um subúrbio ao sul de Paris. As condições de vida eram muito difíceis. Lá ele conhece Raphaël Simi e Philippe Seux, e fica profundamente tocado com seu sofrimento. Decide, então, comprar uma pequena casa perto do Val Fleuri para acolhê-los e morar com esses dois novos companheiros. Não foi “um par de deficientes intelectuais” que Jean acolhe, mas Raphael e Philippe; não é uma instituição que ele cria, mas um lar. Essa abordagem de compromisso pessoal será revelada extraordinariamente frutífera. Para os três homens, é o começo de uma nova vida, radicalmente diferente de tudo que eles haviam conhecido até então. Foi, após alguns meses de ajustes e tentativa e erro, o início de uma aventura humana fora do comum. “Basicamente – diz Jean Vanier – eles queriam um amigo. Eles não queriam meu conhecimento, minhas habilidades em fazer coisas, mas meu coração e meu ser.” Em pouco tempo, outros lares foram fundados e Jean Vanier pede ajuda a bons voluntários para acompanhá-lo nessa tarefa. Jovens da França, Canadá, Inglaterra, Alemanha juntam-se a ele e tornam-se “assistentes”, ao optarem por morar com pessoas com deficiência intelectual. É essa mesma experiência de encontro que Jean havia feito que os assistentes vivenciam. O que dá sentido a todos esses jovens, e os ancora a essa realidade, é a releitura dessa experiência de vida em comunidade que modifica profundamente a visão que eles têm da pessoa humana e da deficiência. A vida compartilhada entre pessoas com e sem deficiência intelectual abre novas formas de fraternidade. O projeto se espalha rapidamente para outras regiões, outros países, outros continentes.
Fé e Luz, um encontro com as famílias
Em 1968, ainda se acreditava que as pessoas com deficiência intelectual não podiam participar das peregrinações, que não eram capazes de apreciar as atividades e que sua presença podia causar incômodo aos demais peregrinos. Como resposta ao chamado dos pais de Thaddée e Loïc, dois meninos com deficiência intelectual, Jean Vanier, a educadora Marie-Hélène Mathieu e alguns pais decidem organizar uma peregrinação a Lourdes… Três anos de preparação suscitam fortes reações de entusiasmo e crítica! Na Páscoa de 1971, se reúnem 12.000 peregrinos de 15 países, incluindo 4.000 pessoas com deficiência intelectual acompanhadas por seus pais e amigos, especialmente jovens. Foram dias muito felizes. Por isto, Jean Vanier sugere a eles: “Continuem reunindo-se em pequenas comunidades, façam tudo que o Espírito Santo os inspirar”. Assim, nessa segunda-feira após a Páscoa de 1971, em Lourdes, nasce o Movimento Fé e Luz.
Reconhecimentos e Publicação
Jean Vanier é autor de 40 livros sobre os temas da religião, deficiência, normalidade, sucesso e tolerância, alguns dos quais traduzidos para o português, como “Comunidade, lugar do perdão e da festa”, “O despertar do ser”, “Verdadeiramente humanos”, “Jesus, o dom do amor” , “Eu encontro Jesus”, “Ele os criou homem e mulher”, “O corpo partido, jornada para a totalidade”, …
Recebeu mais de 20 prêmios internacionais, entre os quais:
■ Prêmio Fundação Joseph Kennedy, juntamente com Madre Tereza, Estados Unidos, 1971
■ Cavaleiro da Legião de Honra, França, 1994
■ Prêmio Paulo VI, entregue pelo Papa João Paulo II, 1997.
■ Prêmio do Senado da República da Polônia, 2006
■ Prêmio Nation Builder, Globe & Mail, Canada, 2008
■ Prêmio Pacem in Terris”, Estados Unidos, 2013.
■ Prêmio Templeton, Estados Unidos, 2015
■ Comandante da Legião de Honra, França, 2016.