Como Agimos
Ele Retira os poderosos de seu trono, Ele eleva os humildes, 08/09/2011 Festa da Natividade da Virgem Maria.
Um apelo
Raramente nos tornamos membros de uma comunidade por acaso. Viemos porque encontramos uma pessoa, ou porque nos pediram para fazer algo, ou para seguir um caminho espiritual respondendo a desejos e dúvidas que nos habitam.
Ficamos em Fé e Luz porque criamos laços, estabelecemos relações e percebemos um chamado que está além da nossa compreensão. Este apelo é ouvido pelos mais pobres, que são os primeiros escolhidos por Deus, pelos amigos que os acompanham, pelas famílias que descobrem um novo sentido para as suas vidas.
Seja onde for que estejamos, só permaneceremos em Fé e Luz se compreendermos que lá estamos para responder a um apelo de Jesus, que nos convida para algo misterioso, secreto e muito belo, para crescer no amor. (2) “Não foram vocês que me escolheram , mas fui eu que escolhi vocês. Eu os destinei para ir e dar frutos, e para que o fruto de vocês permaneça” Jo 15,16 As comunidades Fé e Luz são comunidades de encontro. Elas desejam ser lugares onde as pessoas com uma deficiência podem “ser” elas mesmas, se sentirem amadas e apreciadas pelo que são.
É assim que elas encontram a paz e a alegria interior.
As comunidades desejam também apoiar os pais que, frequentemente, foram feridos pela vida e tão corajosos diante das dificuldades. Elas desejam, num clima de partilha e de amizade, que as pessoas se confortem umas às outras, e se fortifiquem. Alguns descobriram lá o verdadeiro rosto de seu filho, a beleza de seu coração. Enfim, os amigos ali descobrem uma maneira diferente de viver em sociedade, baseada nos valores do coração, da amizade, da ternura, da atenção ao outro. Cada encontro tem um tempo para se reencontrar e se escutar mutuamente, para celebrar e para rezar.
1. As partilhas
“A partilha em pequenos grupos permite a cada um se exprimir através da palavra ou por outras formas de comunicação (desenho, modelagem, mímicas, gestos…). Assim, procuramos levar juntos o fardo, nos encorajar e nos apoiar mutuamente, e estar atentos às necessidades de cada um. Pela amizade, feita de ternura e de fidelidade, nos tornamos sinal do amor de Deus uns para os outros.”
2. A festa e a celebração
Os encontros são marcados por momentos de alegria, onde cantamos, dançamos, partilhamos a mesma refeição, onde celebramos a vida, onde cantamos juntos nossa ação de graças, porque somos amados por Deus. Somos chamados a ser pessoas de celebração, num mundo onde existe muita depressão, sofrimento, rancor e crise.
3. A oração
O encontro humano e a celebração encontram seu ponto culminante na oração, comunhão com Deus, nas celebrações litúrgicas, onde somos chamados a ser um. O lava-pés, em particular, é um gesto simbólico importante em Fé e Luz. Ele revela o nosso desejo de perdoar, de ser perdoado, de servir com humildade. Jesus nos ensina, com este gesto, a nos colocarmos a serviço uns dos outros com amor e doçura. Ele nos ensina a nos colocarmos espiritualmente de joelhos diante de nossos irmãos e irmãs, especialmente dos mais pequeninos. Este gesto tem também um significado particular do ponto de vista da unidade. Se nem sempre podemos comer à mesma mesa eucarística que nossos irmãos e irmãs de outras confissões, nós podemos estar profundamente unidos uns aos outros vivendo juntos o lava-pés.
4. O tempo da amizade
Os laços de amizade entre pais e amigos, e entre estes e pessoas com deficiência intelectual, permitem a cada um mudar tranquilamente sua percepção da vida.
De um encontro a outro, de evento em evento, cada um aprende a deixar cair as barreiras que lhe fecham o coração. Cada um torna-se fiel aos laços de amizade, quando escuta um chamado e se compromete em uma relação que o faz crescer. O tempo passado juntos permite descobrir uma nova maneira de ser humano, uma nova relação com Deus, através dos mais pequeninos.