Como nasceu Fé e Luz

Como nasceu Fé e Luz

Como nasceu o movimento

         Fé e Luz começou de um modo escondido e sofredor. Foi inspirado por Loïc e Taddée, dois meninos profundamente deficientes. Seus pais, Camila e Geraldo, tiveram uma grande vontade de fazer com eles uma peregrinação a Lourdes. Mas não havia lugar para eles na peregrinação diocesana: “Eles são deficientes demais. Eles não compreenderiam nada. Eles incomodariam…”. Pena! A família irá sozinha a Lourdes, mas no hotel, na rua e até na Gruta, a deficiência assusta e os olhos se desviam: “Quando se tem filhos assim, a gente os deixa em casa!”. Sua peregrinação foi uma provação dolorosa. Estamos em 1968.

Há quatro anos que Jean Vanier partilhava na Arca a vida de pessoas deficientes mentais e partia em peregrinação com elas, todos os anos. Ele constatou o quanto esta atitude favorecia o encontro delas com o Senhor, com a Igreja, reforçava a comunhão fraterna… Quanto a mim, no Escritório Cristão para Pessoas Deficientes (O.C.H.), ouvia o apelo de pais para que seu filho fosse integrado na sociedade e na Igreja.

Dessas experiências, desses sofrimentos, uma ideia brotou em nossos corações: organizar uma peregrinação com pessoas com deficiência mental. Assim, na Igreja, os cristãos poderiam descobrir, ainda mais, que elas são verdadeiramente filhas de Deus, chamadas a encontrar Jesus e seu amor todo especial por elas. Seus pais estariam lá, juntamente com amigos e jovens. Em alguns instantes, a ideia transformou-se em projeto. Será a peregrinação “Fé e Luz”. Três anos de preparação intensa: viagens, hospedagem, finanças, segurança, liturgia… Muitas preocupações e objeções se exprimem. Monsenhor Desmazières, bispo de Beauvais, nos encoraja: “Ide”. Nós redigimos uma carta que define “uma peregrinação de pequenas comunidades, de tamanho humano, no coração das quais as pessoas deficientes mentais se encontram integradas”. Cada dia os obstáculos se multiplicam; nossas equipes colocam tudo nas mãos de Deus: “Nós damos nossos cinco pães e nossos dois peixes. Cabe ao Senhor multiplica-los”.

Na Sexta-feira Santa do ano de 1971, somos 12.000 na Gruta, vindos de 15 países: 4.000 dentre nós têm uma deficiência mental.

Como, em meio a tantos sofrimentos, a tantas feridas, pode essa multidão cantar Aleluia da manhã à noite? Por uma manifestação do Espírito Santo, por uma graça da unidade dos corações. No último dia, surge um apelo unânime: “É preciso continuar”. Jean Vanier responde: “Façam tudo o que o Espírito Santo vos inspirar para suscitar comunidades de amor em torno da pessoa deficiente, com ela”.

Naquela segunda-feira da Páscoa de 1971 uma peregrinação chega ao fim e o movimento Fé e Luz nasce.

Marie-Hélène Mathieu

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